Os impactos da pandemia (Covid-19) no cotidiano das pessoas: desafios e contribuições dos estudos de gênero e dos feminismos - Entrevista com Joana Maria Pedro

  • Fabiane Freire França Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
  • Claudia Priori Universidade Estadual do Paraná (Unespar)
  • Ana Lucia Galinkin Universidade de Brasília (UnB)

Resumo

Joana Maria Pedro, professora, historiadora e pesquisadora da História das Mulheres e dos Estudos de Gênero, é uma das principais referências na historiografia brasileira. Sua prática docente tanto na graduação quanto na pós-graduação, pesquisas e publicações têm deixado impressas na formação acadêmica de centenas de pesquisadoras e pesquisadores, inúmeras contribuições ao conhecimento histórico e ao diálogo interdisciplinar, especialmente no que se refere aos estudos e abordagens das relações de gênero e suas intersecções. É professora titular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na qual, desde março de 2019, obteve sua aposentadoria, e é docente permanente do Programa de Pós-Graduação em História e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC. Joana Maria Pedro é pesquisadora do CNPq e, também, pesquisadora do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) e do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH). Uma trajetória acadêmica e profissional que se iniciou com a graduação em História pela Universidade do Vale do Itajaí (1972), mestrado em História pela Universidade Federal de Santa Catariana (1979) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1992). Fez pós-doutorado na França, na Université d’Avignon, entre 2001 e 2002, e mais recentemente, entre 2016 e 2017, fez pós-doutorado nos Estados Unidos, na Brown University. Além de sua atuação na pesquisa e no ensino de graduação e pós-graduação, a professora Joana Maria Pedro ocupou durante sua carreira acadêmica algumas funções administrativas na gestão universitária, das quais podemos citar: a Coordenação do Programa de Pós-Graduação em História entre 1993 e 1995; a Direção do Centro de Filosofia e Ciências Humanas entre 1996 e 2000; a Coordenação do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas entre 2008 e 2012 e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação entre 2012 e 2016. Em âmbito nacional foi presidenta da Associação Nacional de História (ANPUH), na gestão de 2017- 2019. A trajetória de Joana Maria Pedro nos mostra como a pesquisa, o ensino, a extensão e a gestão universitária, assim como tantos outros cargos diretivos no país, podem ser ocupados por mulheres. Nos mostra, ainda, que as lutas por uma educação democrática, igualdade de gênero, defesa dos direitos humanos, respeito às diversidades, maior inserção nos espaços de mando e decisão política, são lutas que atravessam a vida de professoras e de professores, pesquisadoras e pesquisadores, e que são lutas incessantes e incansáveis. Autora de diversos livros, é importante destacar algumas de suas principais obras: Mulheres honestas, mulheres faladas: uma questão de classe (1994); Nas tramas entre o público e o privado: a imprensa de Desterro no século XIX (1995); Práticas Proibidas: práticas costumeiras de aborto e infanticídio no século XX (2003); Masculino, Feminino, Plural – Gênero na Interdisciplinaridade (2006); Fronteiras de Gênero (2011); Resistências, Gênero e Feminismos contra as Ditaduras no Cone Sul (2011); Relações de Poder e Subjetividades (2011) e Nova História das Mulheres no Brasil (2012). Neste contexto de pandemia que o mundo está atravessando, a professora Joana Maria Pedro1 nos concede esta entrevista ao “Dossiê Estudos de Gênero e Educação: Diversidade, Políticas e Resistências” da Revista Educação e Linguagens, na qual dialoga conosco a respeito dos impactos da pandemia na vida cotidiana, bem como discute os desafios e contribuições dos Estudos de Gênero e dos feminismos na atual conjuntura social e política.

Publicado
2020-08-11
Seção
Entrevista